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Cervejaria Hocus Pocus

 

Rótulos psicodélicos e multicoloridos, nomes criativos e cervejas bem-feitas, sem arestas. Tudo faz sentido no universo vibrante da Hocus Pocus, cervejaria artesanal das mais promissoras no estado do Rio, que está prestes a abrir sua fábrica própria e não para de experimentar novos estilos. Apesar do nome, tudo começou de maneira bem real, sem feitiço nem passe de mágica. Pedro Henrique Butelli e Vinicius Kfuri se conheceram em um curso de cervejas, em 2012. De campos diametralmente opostos ao do mundo das bebidas – direito e mercado financeiro –, os dois deram contornos mais sérios ao passatempo quando compraram equipamentos profissionais e começaram a fazer cerveja em casa. “Acabávamos dedicando todo nosso tempo livre a isso, testando receitas todos os fins de semana. Fazíamos em casa e bebíamos entre amigos, sem pretensão nenhuma.” O processo inteiro da feitura da cerveja, da fervura do “chá” até a fermentação e maturação, me contou Pedro, leva cerca de um mês. Nessa fase, muitas deram errado, “eram imbebíveis”, relembra, mas muitas outras agradaram, e foram sendo aperfeiçoadas. Foi no casamento de um deles que resolveram, pela primeira vez, fabricar uma quantidade maior para os convidados. Nesse primeiro experimento, duas das que mais vendem no portfólio (a leve Magic Trap e a cítrica APA Cadabra), já estavam lá.

Confiantes com elogios e técnicas aprimoradas, se inscreveram em concursos e confrarias de cervejas caseiras. Se destacaram. “Quando ganhamos o segundo [concurso], pensamos se valia a pena investir todos nossos esforços nisso.” Léo Botto, hoje dono de três bares que levam seu sobrenome e somam mais de 100 torneiras de chopes feitos por ele, foi um dos professores da dupla no curso, e foi no Botto Bar de Botafogo, o lançamento oficial do primeiro rótulo, Magic Trap, hoje soberana campeã das vendas. A terceira foi feita em colaboração com o restaurante Lasai, do chef Rafa Costa e Silva. “Ele procurava algo que harmonizasse com carne de porco, mas que também fosse fácil de beber. Juntos, chegamos na Hush”, conta Pedro sobre a do estilo Amber Ale, a primeira a entrar nas harmonizações do restaurante, dos únicos da cidade onde vinhos, cervejas e drinques se revezam em parear os pratos do percurso. Daí em diante, o boca a boca – além da qualidade do produto, é claro – já tinham dado conta do resto. Os bares começaram a pedir e o público, a gostar. Não demorou para que aparecessem nas geladeiras e torneiras dos lugares mais legais da cidade. Tinham decidido, enfim, deixar seus empregos e se dedicar ao mundo cervejeiro de vez.

No fim de 2015, um novo cenário: a garagem de um foodtruck de cachorros-quentes na rua Dezenove de Fevereiro, em Botafogo. Plugadas nos barris da Hocus Pocus, torneiras de chopes transformaram o lugar sem charme num ponto de encontro animado. Cerveja, cachorro-quente, amigos e só.  O formato começou sem querer, mas a ideia colou. Hoje o charmoso espaço, batizado de Hocus Pocus DNA, é um bar bonitão, com parede de tijolinhos aparentes, mesão comunitário de pinus e cadeiras de praia, e tem cardápio específico de comidinhas que rimam com as cervejas da marca. Não se trata só de um “tap room”, onde todas estão “on tap”, mas também laboratório que serve de termômetro para testar novos experimentos. “Toda quarta feita temos o HP prog, onde levamos um barrilzinho de 10 litros de algum estilo ou receita em que estamos trabalhando naquela semana. Todas nossas cervejas hoje lançadas, começaram assim.” É o caso da Kambô, Imperial Stout que combina coco torrado, baunilha, café e lactose  –  era a HP Prog #41 e acabou de ser lançada. É também lá que entram em cartaz cervejas sazonais, que não chegam a ir para bares e prateleiras, ou edições limitadas, como as latas de Magic Trap e APA Cadabra – além de mais leves e sustentáveis, as latas de metal “protegem a cerveja da luz e, consequentemente, também evitam que ela perca o frescor pela oxidação dos lúpulos”, me explicou Pedro.

Na grande maioria das cervejas, é ele [o lúpulo] que dá conta dos aromas frutados, cítricos ou herbáceos da bebida. Ou seja, funciona como na maioria dos vinhos, onde a uva é a responsável por levar a carga aromática que sentimos na taça. “Na Day Tripper, por exemplo, é o lúpulo que usamos que traz aromas naturais de coco e Bourbon”, explica sobre a de perfil amadeirado feito no estilo New England IPA. Já nas investidas mais ousadas, são as matérias primas propriamente ditas que entram na receita. “A Coffee Hush foi a primeira cerveja a que somamos um ingrediente [grãos de café].” Também é o caso da Red Potion, uma Berliner Weisse a que  adicionam a polpa congelada de frutas vermelhas logo depois do auge da fermentação. “Viajamos muito para festivais fora do Brasil, e quanto mais cervejas gringas provamos, mais percebemos que não estamos devendo nada para a produção lá de fora”, disse, otimista. Só no Rio, são mais de 70 cervejarias artesanais que começaram em casa. Há menos de um ano, elas juntaram-se para criar a Amacerva (Associação de Microcervejarias Artesanais do Rio de Janeiro), da qual Vinícius, sócio de Pedro, é presidente.

O que começou com os dois, hoje tem 12 funcionários, só na retaguarda. Do “quintal de casa”, foram para uma salinha na Tijuca, que virou uma casa. Agora, acabaram se de mudar para um escritório amplo no topo de um prédio em Copacabana, com direito a fliperama, mezanino e vistão azul para o mar, e esperam os últimos retoques para abrir sua primeira fábrica própria, em Três Rios, região serrana do Rio – até agora, como muitas cervejarias, era “cigana”, ou seja, produziam nas dependências de outra grande cervejaria, a Antuérpia, em Juiz de Fora. Na nossa carta de cervejas brasileiras, temos orgulho de ter duas da Hocus Pocus: a Pandora, Munich Helles, e a APA Cadabra. Ah, e o porquê de se chamarem Hocus Pocus? “Eu e o Vinicius gostamos muito de rock progressivo e uma banda chamada Focus, que tem uma música chamada Hocus Pocus. Achamos que nosso jeito de fazer cerveja era igual ao deles de fazer música: muito técnico, mas com execução bem solta, livre.”

Por Mateus Habib

    

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