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As lições do vinho laranja – Pedro Mello e Souza

 

Não procure nos dicionários de gastronomia ou nos compêndios de vinhos a expressão “vinho laranja”. Nos livros mais modernos, talvez, alguma referência ainda tímida sobre esta expressão que tem um pouco de millenial falando de um vinho bem milenar. Há mais timidez dos autores ao discorrer sobre o tema: os produtores deste vinho arqueológico, paleolítico, reagem à expressão com a simpatia de um tigre rosnando para alguém que mexe com suas crias: eles ODEIAM a expressão “vinhos laranja”.

 

Quem olha o vinho desconfia. No copo, aquela cor de ouro velho parece vinho passado. Mas quem prova sente aquela pancada de paladar tão pleno quanto fino, que domina e contamina a boca, cheio de mistérios alegres e alegrias misteriosas nos aromas e paladares tudo fora de todas as curvas. E, vê a cor alaranjada, como notou David Harvey, em 2004 sobre uns vinhos meio malucos que importava da Geórgia, ao descrevê-los em uma entrevista à revista Decanter, em 2004.

 

Estava lançado o “orange wine”. Ou o “amber wine”, como preferem os produtores deste vinho branco produzido à moda antiquíssima, em ânforas, deixando a uva fermentar do jeito que ela quer, deixando o vinho nascer e respirar do jeito que a natureza escolheu. Pouco mexem, nada chacoalham, sem intervenção, como manda o slogan. É aí, nesse trabalho dos produtores, que começam as lições de um estilo de vinho tão diferente e tão descolado.

 

A primeira lição vem do trabalho com as castas. Nada de uvas mauricinhas como os chardonnays ou patricinhas como as sauvignons. São as uvas manchadas e escurecidas como as saperavis da Geórgia, as ribollas giallas e os pinots grigios que os italianos do Vêneto dividem com os vizinhos da Eslovênia.

 

A segunda lição é a da exposição longa, intensa e paciente do vinho com as cascas dessas uvas. É quando a bebida ganha a cores e as consistências profundas, as mesmas que encontramos, hoje, nos vinhos que se orgulham de todo esse contato natural com a fruta. Quem provou franceses fora da curva como um Jura, do nordeste ou um Jurançon do sudoeste que segure a sua lágrima.

 

Outra lição está nas ânforas que usam, ancestrais como eram aquelas de barro, um upgrade no processo da oxidação, que dão ao vinho laranja a elegância que poucas madeiras de barricas novas atingem. Exemplo moderno: quem esteve em algum dos Tapas & Copos do Bazzar provou o Bojador, vinho de ânfora português, o Viejas Tinajas, da De Marino, o Romate Manzanilla, da Viva la Pepa. E sentiu seus impactos nos olhos, no nariz, na boca.

 

Em resumo, lições à base de deliciosos tapas (e copos) na cara.

    

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Rua Barão da Torre, 538
Telefone: 21 3202-2884
Horário de funcionamento
Terça à Sábado, 12h às 23h

Domingo de 12h às 18h

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